"Pequena história destinada a explicar como é precária a estabilidade dentro da qual acreditamos existir, ou seja, que as leis poderiam ceder terreno às exceções, acasos ou improbabilidades, e aí é que eu quero ver" (Julio Cortázar)


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Cartas Náuticas

Madeleine Alves

Os mestres vagam solitários em seus barcos.

A bombordo e estibordo, comandam o leme em busca dos verdadeiros faróis.

Os mestres enxergam os faróis holográficos e hordas de novos marujos que se apressam a navegar em suas direções. Então, baforam seus cachimbos e, com um leve meneio de cabeça, continuam sua rota.

Há as estrelas e o sextante. E com elas, o mestre tece sua poética. Há a gramática das coordenadas, a morfossintaxe de latitudes e longitudes. E estas estão no inconsciente dos mestres.

Eu os observo navegar...

Para um mero observador, o admirável movimento do barco cortando ondas e intempéries é a intuitiva dança que se quer bailar de peito aberto e maresia nas narinas.

Os mestres são generosos e humildes. De soslaio, chamam a atenção. Com um leve sorriso nos lábios e uma piada, deixam rastros nas ondas nas quais cortam caminho. E assim nos ensinam a falar o idioma dos mares.

Os faróis de concreto são apenas uma desculpa de caminho.

Mestre que é mestre sabe que é à deriva que se aprende a falar a língua do mar.

Um comentário:

Ailda Moreira Dos Santos disse...

Belíssimos como tudo que você escreve continue embelezando o mundo com sua arte. Te amo Mamis.