"Pequena história destinada a explicar como é precária a estabilidade dentro da qual acreditamos existir, ou seja, que as leis poderiam ceder terreno às exceções, acasos ou improbabilidades, e aí é que eu quero ver" (Julio Cortázar)


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Poética

Madeleine Alves

O poema me inunda
Sobremaneira
- poemeira.

O verso corta caminho
Sobretudo
- poetudo.

A rima rema certeira
Sobre a beira
- poebeira.

A escansão vira canção,
corre o mundo.

- poemundo.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

COM A PALAVRA: "Um chamado João" - quando um gênio homenageia outro

Um chamado João

Carlos Drummond de Andrade

João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando 
no exílio da linguagem comum?

Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?

Tinha pastos, buritis plantados
no apartamento?
no peito?
Vegetal ele era ou passarinho
sob a ossatura com pinta
de boi risonho?
Era um teatro
e todos os artistas
no mesmo papel,
ciranda multívoca?

João era tudo?
tudo escondido, florindo
como flor é flor, mesmo não semeada?
Mapa com acidentes
deslizando para fora, falando?
Guardava rios no bolso
cada qual em sua cor de água
sem misturar, sem conflitar?
E de cada gota redigia
nome, curva, fim,
e no destinado geral
seu fado era saber
para contar sem desnudar
o que não deve ser desnudado
e por isso se veste de véus novos?

Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
de precípites prodígios acudindo
a chamada geral?
Embaixador do reino
que há por trás dos reinos,
dos poderes, das
supostas fórmulas
do abracadabra, sésamo?
Reino cercado
não de muros, chaves, códigos,
mas o reino-reino?

Por que João sorria
se lhe perguntavam
que mistério é esse?
E propondo desenhos figurava
menos a resposta que
outra questão ao perguntante?

Tinha parte com... (sei lá
o nome) ou ele mesmo era
a parte de gente
servindo de ponte
entre o sub e o sobre
que se arcabuzeiam
de antes do princípio,
que se entrelaçam
para melhor guerra,
para maior festa?

Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
deve pegar.

(21/XI/1967)

Poema de Carlos Drummond de Andrade que foi publicado no Correio da Manhã de 22 de novembro de 1967, três dias após a morte de João Guimarães Rosa.

(In: ROSA, J. Guimarães. Primeiras Estórias. 15ª edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, págs. 10-13.) 

sábado, 30 de julho de 2016

Nem antes, nem depois

Madeleine Alves 

Na hora certa, 
os címbalos soarão a
cristalina cachoeira.

Na hora certa,
a tala ecoará o
cântigo dos cânticos. 

Na hora certa,
na seda dissolver-se-área
os amargores antigos.

Na hora certa,
rutilará no céu estrela derradeira 
para quem sempre esteve à margem, 
no centro de uma outra beira.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Meditação

Madeleine Alves

Os intrépidos anos
abruptos
dão lugar à solidez dos planos.

De pés a raízes
zarpam da árvore sementes aladas.

De cá
De lá
definham passados
os medos passados.

Há o Uno: 
multifacetado uno
multidesdobrado uno
multinterligado uno. 
Apenas uno - 
Húmus fértil de futuros puros.
Homem forte de gratia plena.

sábado, 20 de junho de 2015

Discurso

Madeleine Alves

Quando falo,
não digo só:
digo com as velhas músicas
não tão velhas como hoje;
digo com os velhos textos
não tão velhos como amanhã;
digo com as gastas falas
não tão falhas
não tão gastas
quanto depois de amanhã.

Quando falo
digo só
daquilo que não sou
daquilo que não sei.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

CineLetras exibe "Oliver Twist" nesta 6ª feira (19/06)


CINELETRAS NESTA SEXTA, NA BIBLIOTECA DE ARTES CÂNDIDO PORTINARI



A Secretaria Municipal de Cultura de Santos realizará nesta sexta-feira mais uma sessão do ‘CineLetras’ na Biblioteca de Artes Cândido Portinari. Iniciado em setembro do ano passado, o ‘CineLetras’ é uma das atividades promovidas pela Biblioteca de Artes com o objetivo de fomentar a frequência do público ao equipamento, aproximando a população do rico acervo disponibilizado na biblioteca.
O filme exibido nesta edição do ‘CineLetras’ será “Oliver Twist”, do diretor Roman Polanski. Adaptação do clássico homônimo de Charles Dickens, este filme de 2005 tem roteiro assinado por Ronald Harwood e foi rodado em locações no Reino Unido, República Checa, França e Itália e tem no elenco nomes como Ben Kingsley, Jamie Foreman, Edward Hardwice, Mark Strong e Barney Clark como o protagonista que dá nome à narrativa.
Mediando o bate-papo após a sessão, a realizadora audiovisual e produtora cultural Madeleine Alves conversará de modo informal com os presentes sobre aspectos da adaptação da narrativa literária para a cinematográfica.

Sobre Oliver Twist
Oliver Twist (Barney Clark) é um órfão entre as centenas que sofrem com a fome e o trabalho escravo na Inglaterra vitoriana. Vendido para um coveiro, ele sofre com a crueldade da família deste e acaba fugindo para Londres. Lá ele é recolhido das ruas por Artful Dodger (Harry Eden), um ladrão que o leva até Fagin (Ben Kingsley), um velho que comanda um exército de prostitutas e pequenos marginais. Quando Oliver conhece um bondoso homem em quem finalmente enxerga um possível pai, Fagin teme que ele denuncie seu esquema. Para evitar isso Fagin planeja um assalto à casa do rico Sr. Brownlow (Edward Hardwicke), o pai desejado por Oliver.

Sobre Madeleine Alves
Madeleine Alves é produtora cultural e realizadora audiovisual. Integrante do fazer cultural da Baixada Santista, transita entre as expressões artísticas com facilidade, sempre de olho em novas tecnologias e novas mídias que possibilitem a troca de saberes culturais.
Formada em Letras na Universidade Católica de Santos e com Habilitação em Artes Visuais oferecida pelo Departamento de Formação e Pesquisa Cultural da Secretaria Municipal de Cultura de Santos, escreveu a monografia Curta-metragem: Experimentação — Narrativas, que usa as narrativas de dois curtas-metragens para tratar acerca da experimentação característica deste formato audiovisual.
Selecionada nos últimos 2 biênios para representar o município de São Vicente no Mapa Cultural Paulista – Categoria Literatura, com poemas que publica em seu blog Signos Possíveis, foi selecionada entre os 73 autores do interior do estado de São Paulo inclusos na Mostra de Literatura da Fase Estadual do Mapa Cultural Paulista e integra a Antologia Literária a ela relacionada.
Ilusionismo, primeiro curta-metragem ficcional com sua direção, foi vencedor do Voto Popular do 9º Curta Santos – Festival Santista de Curtas-Metragens, com mais de 3200 votos. Ocupou a cadeira de Conselheira do Segmento Audiovisual no Conselho Municipal de Políticas Culturais de São Vicente de 2012 a 2014. Em produção audiovisual, já desempenhou as mais diversas funções em curtas-metragens e videoclipes: produtora, continuísta, fotógrafa still, assistente de direção de arte, diretora de arte e roteirista.



Serviço:
CineLetras – Exibição do Filme Oliver Twist, de Roman Polanski
Onde: Biblioteca de Artes “Cândido Portinari”
Av. Rangel Pestana, 150 – Vila Mathias – Santos/SP
Quando: 19 de junho de 2015 – 19h30
Entrada Franca
Realização: Prefeitura Municipal de Santos – Secretaria Municipal de Cultura