Madeleine Alves
batom vermelho
para ver melhor
as bagagens
que nem percebo.
eu,
que sempre virei do avesso em prol de outros,
enfim ergo-me no Carro da Existência
e puxo as rédeas
- tão minhas -
que, antes abandonadas,
agora sabem a quem pertencem.
... essa vida tão curta para ser só o que os outros desejam...
... e quando acabar toda a comida?
... e quando saciado todo o sexo?
... e quando compradas toda as roupas e carros e bens?
... e quando entornada toda a bebida?
... e quando todas as palavras estejam tão vazias de sentido por serem tão ditas que só te reste o silêncio?...
... o que você fará com esse vazio que te sonda,
esse silêncio que te grita
e essa cegueira que te obriga
a Visão da Verdade
- que não queres ver?