"Pequena história destinada a explicar como é precária a estabilidade dentro da qual acreditamos existir, ou seja, que as leis poderiam ceder terreno às exceções, acasos ou improbabilidades, e aí é que eu quero ver" (Julio Cortázar)


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Com a Palavra, Clarice Lispector

Madeleine Alves

Eu tinha 20 anos quando assisti a esta entrevista pela primeira vez, em uma aula de Literatura Brasileira do 3º ano do curso de Letras, ministrada então pelo apaixonado-pelas-letras Profº Ms. Sérgio Montero Aguiar. Foi uma leitura gestáltica, a que eu tive então: muito geral e superficial, como se tateasse às escuras o caminho inóspito de uma trilha desconhecida... Por vezes, somos muito novos e cheios de crenças para penetrar surdamente o reino das palavras.

O reino de Clarice é abismal. Agora, sete anos depois, eu consegui me encontrar nesta entrevista, como se houvesse encontrado um espelho d'água no meio daquela trilha — já não tão inóspita. Realmente, existem seres que estão antes de nós, durante nós e muito além de nós...

De tudo, acho que é preciso destacar uma parte que é a tônica do Signos Possíveis:

Júlio Lerner: Clarice, a partir de qual momento você efetivamente decidiu assumir a carreira de escritora?

Clarice Lispector: Eu nunca assumi.

JL: Por quê?

CL: Eu não sou uma profissional, eu só escrevo quando eu quero. Eu sou uma amadora e faço questão de continuar sendo amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever. Ou então com o outro, em relação ao outro. Agora eu faço questão de não ser uma profissional para manter minha liberdade.

JL: A sua produção ocorre com frequência ou você tem períodos?

CL: Tenho períodos de produzir intensamente e tenho períodos-hiatos em que a vida fica intolerável.



E neste link, o depoimento de Júlio Lerner, igualmente inspirador:

http://www.revistabula.com/503-a-ultima-entrevista-de-clarice-lispector/

2 comentários:

Debora Rodrigues disse...

Mad! Você fez eu me sentir igual a Clarisse Lispector! Obrigada!

Madeleine Alves disse...

Débora, grande beijo!!! Obrigada sou eu quem diz, ao ler uma dádiva dessas \o/\o/\o/