"Pequena história destinada a explicar como é precária a estabilidade dentro da qual acreditamos existir, ou seja, que as leis poderiam ceder terreno às exceções, acasos ou improbabilidades, e aí é que eu quero ver" (Julio Cortázar)


sábado, 20 de junho de 2015

Discurso

Madeleine Alves

Quando falo,
não digo só:
digo com as velhas músicas
não tão velhas como hoje;
digo com os velhos textos
não tão velhos como amanhã;
digo com as gastas falas
não tão falhas
não tão gastas
quanto depois de amanhã.

Quando falo
digo só
daquilo que não sou
daquilo que não sei.

2 comentários:

Ailda Moreira Dos Santos disse...

Palavras que criam, recria, abre olhar novo, desperta o sutil. Parabéns pelo belo poema.

Madeleine Alves disse...

Valeu, mãe!! \o/