"Pequena história destinada a explicar como é precária a estabilidade dentro da qual acreditamos existir, ou seja, que as leis poderiam ceder terreno às exceções, acasos ou improbabilidades, e aí é que eu quero ver" (Julio Cortázar)


quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ponto Continuado

Madeleine Alves

Respirar.
Respiro fundo, longo, que preencha uma existência inteira.
Inundar-se de gotículas de ar a fim de se perder numa enxurrada de suspiro.
Entrar pelo nariz, mover o diafragma, enxer os pulmões até não poder mais — e soltar pela boca devagar, saboreando às avessas...
Oxigenar o cérebro e pedir aos neurônios uma lembrança que equivalha à solenidade ínfima desse movimento...
Seguem-se as notas da escola.
Por sua vez, as notas das músicas que enlevam e levam em si essa lufada ínfima de ser.
Depois, as notas de rodapé: em fonte mínima, longevidade ou não, nem sempre se lembra delas...
Então, nota de 5, 10, 20, 50... em si, papel-moeda é tudo igual — são as pessoas que acham que, numa balança, ele pesa o mesmo que uma vida.
Um grama.
Uma vida leve como a pluma, inundada por plantações de ar em solo fértil de alvéolos, pronunciando-se pela atmosfera de Ser...
Nota-se, por fim, que não há outro jeito de ensinar a vida a não ser que se seja dela um curioso aprendiz repleto de suspiros e respiros...

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