"Pequena história destinada a explicar como é precária a estabilidade dentro da qual acreditamos existir, ou seja, que as leis poderiam ceder terreno às exceções, acasos ou improbabilidades, e aí é que eu quero ver" (Julio Cortázar)


terça-feira, 10 de março de 2009

Com a Palavra, Herbert Read




"Quanto mais insistimos sobre a plasticidade do filme (quer dizer, sobre suas possibilidades artísticas) mais ainda exigidos do artista dotado de imaginação no processo de produção. Isto é bem oposto à tendência atual, de reduzir o papel do roteirista à insignificância. Mas quando o cinema exaurir o seu élan técnico deverá, então, retornar inevitavelmente aos poetas. Pois a qualidade de uma obra de arte sempre depende da qualidade da mente diretora ou produtora e nenhuma arte pode sobreviver apenas mediante uma inspiração mecânica. Haverá sempre o lugar para o filme documentário, científico ou de atualidades: porém, ao fim, o público desejará o filme de imaginação, de visão. E então chegará o dia do poeta, do roteirista ou qualquer outra coisa que o chamemos, pois esse artista será de um novo tipo — um artista com a sensibilidade visual do pintor, a visão do poeta e a noção de tempo do músico. Em lugar de se duvidar das possibilidades artísticas do cinema, como meio de expressão, dever-se-ia, antes de tudo, duvidar da capacidade artística do homem de elevar-se às altas oportunidades desse novo meio. É uma nova caixa de Pandora a que o homem carrega consigo, da qual já eliminou todas as espécies de males, mas na superfície da qual ainda permanece a esperança."


extraído do livro A Idéia do Cinema

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