"Pequena história destinada a explicar como é precária a estabilidade dentro da qual acreditamos existir, ou seja, que as leis poderiam ceder terreno às exceções, acasos ou improbabilidades, e aí é que eu quero ver" (Julio Cortázar)


domingo, 16 de setembro de 2018

No pelo das horas

Madeleine Alves

Passo os dedos por sobre o pelo das horas
- sem ponteiros -
enquanto o poema se pronuncia.
Balbucio o vazio.
A casa dorme.
Eu verto versos 
conformada com uma minúscula página.
Ágil,
a rima se agiganta.
Quero reprender a linguagem da vida
- sem pausas -
como quem sorve segundos
de um ribombante silêncio
e gorgeia imagens.

No instante da madrugada,
o cão dorme.
A loba cria.

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