"Pequena história destinada a explicar como é precária a estabilidade dentro da qual acreditamos existir, ou seja, que as leis poderiam ceder terreno às exceções, acasos ou improbabilidades, e aí é que eu quero ver" (Julio Cortázar)


sexta-feira, 12 de junho de 2009

Não há

Madeleine Alves

O que quer este verbum?
Está a se esgueirar sinuoso
por entre os cantos dos meus olhos.
Está a dançar airoso,
de saia rodada de ser.
Está com esse olhar belicoso
a tomar conta de.

O que faz este verbum?
Neste momento indelével
meu movimento sinuoso
sinaliza não:
mais uma vez, eu o perdi...

O que pode este verbum?
Por que não posso com ele?
A tomar-me as mãos,
o corpo, a existência.
A travar-me o canto,
a dança, a essência.

Por que não ser este verbum?
Tépido, a inundar-me
metro a metro,
nesta angústia de pulsar,
pulsar, pulsar —
e não ter o que dizer.

Um comentário:

Ana Maria Sachetto disse...

Lindo, inspirado e delicioso! Parabéns, Madeleine! Premiação merecida.