"Pequena história destinada a explicar como é precária a estabilidade dentro da qual acreditamos existir, ou seja, que as leis poderiam ceder terreno às exceções, acasos ou improbabilidades, e aí é que eu quero ver" (Julio Cortázar)


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Ser – Humano


Madeleine Alves



Pode-se pensar muitas coisas a respeito da amizade — os comerciais vivem fazendo isso o tempo todo. Há o dinheiro, há os favores, há as comodidades e as convencionices. Enfim, todos aqueles conceitos estagnados sobre o que é ser feliz.


Mas que tal voltarmos à realidade?


Estamos em um mundo com 6 bilhões de pessoas — e corremos o risco de cada um se sentir mais solitário do que o outro. A mesma tecnologia que parece nos unir e quebrar barreiras constrói muros de sedentarismo, ilusões de ótica e desilusões de solidão.


Na era das doenças psicossomáticas, parece que a lição a aprender, antes de mais nada, é a de ser — humano. Por mais que a máquina nos queira moldar a sustentarmos o sistema, as relações que temos que aprender a cultivar são as mais simples, como um beijo, um abraço, uma palavra amiga.


Parece que teremos que reaprender a amar. E o curioso é que apenas nos esquecemos de como fazê-lo — porque amar nós sabemos...


Sabemos que o sabemos por causa daqueles semelhantes que ainda sabem amar, que ainda se importam com o outrem, que ainda conservam o colo e a palavra amiga em prontidão. Estes, sim, são os bravos de nosso tempo: os que sabem o valor de uma verdadeira amizade.

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