Madeleine Alves
Eu me escondo atrás das sombras dos olhos de outrem.
Me escondo atrás de sua fala inconseqüente, de seus volteios, de seus risos e (in)certezas.
Eu me eclipso.
Por que será que toda a inteligência se esvai pela palavra - a semente do conhecimento?
Porque todo o insólito de suas vestes é obviamente imaterial e não há quem expresse essa Lua que me invade a pele e a consciência.
Apesar da eficácia de minhas "momices", da verborragia pontual no fim de cada frase, das análises perspicazes e do diploma de Psicologia que emoldura a parede à frente, admito ser um leigo na arte que me agita os nervos - mesmo contra minha vontade.