"Pequena história destinada a explicar como é precária a estabilidade dentro da qual acreditamos existir, ou seja, que as leis poderiam ceder terreno às exceções, acasos ou improbabilidades, e aí é que eu quero ver" (Julio Cortázar)


A Produtora Signos Possíveis começou neste blog de escrita. Aqui você encontrará uma seleção de textos escritos e escolhidos por Madeleine Alves. Para saber mais sobre o trabalho da produtora, procure a gente nas redes sociais!


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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Clarice

Madeleine Alves

Tu te foste dois tempos antes do real fim
Mas não sem antes o último abraço
Não sem antes dizer que me amava.

Tu te foste em meus braços
Antes que eu desse o ébolo ao barqueiro
Não sem antes eu dizer que te amava.

Tu te foste cerrando o claro brilho azul
Dos teus olhos; lembro antes de cada abraço
De cada colo, de cada afago
— sinais indistintos do amor que a gente celebrava.

Uma homenagem à clara estrela que ora brilha acima desta mundana existência: minha avó.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Caleidoscópio


AVARALVARO


Madeleine Alves
avaro ver
avaro vá
vá ver além
vá viajar

avaro ser
alvoroçar
vá ser alguém
vá s’arvorar

avaro ter
avaro estar
álvaro ser
Álvaro — vá!

Trilha Sonora


Madeleine Alves

Música para ser mudo
Música para ser muito
Música para ser doido
Música para ser dito
Música para ser mito
Música para ser coito
Música para ser frito
Música para ser filho
Música para ser douto
Música para ser lido
Música para ser livro
Música para ser louco

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Ao Teu Lado:

Madeleine Alves

Admirar a ficção diária
Beber infinitos
Comer pôr do sol
Descomplicar a vida
Embalar afagos
Fantasiar futuros
Gestar sonhos
Haver risos
Iluminar noites
Jograr dias
Luar o coração
'Manhecer a mente
Ninar o passado
Oscular a face
Postergar discussões
Querer...
Respirar flagrantes fragrâncias
Sussurar estrelas
Trovar canções
Ungir o amor
Viver voar
Zarpar rumo à inspiração.

A Escultura

Madeleine Alves

Trazes tão-somente
um pote junto ao peito —
tão-somente pote pleno.
Ostentas um olhar vazio
raso frio
de quem encheu o pote de lágrimas
e da plenitude s'esvaiu.

Escultura de Daniel Gonzalez

Prece

Madeleine Alves

Assalta-me,
de manhã de tarde de noite
às duas da madrugada.
Esgueira-se,
entre retina neurônio sinapse
o tudo e o nada.
Conquista-me,
com cor cheiro sabor
e tom de abracadabra.
Inflama-me,
os sentidos o ego e os poros
o corpo e a alma.
Engravida-me,
de sede suor e ser
e depois me acalma.

Ideia: bendito seja nosso fruto —
quer seja imagem, quer seja palavra.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Só o Pó

Madeleine Alves
Caminhando pelas ruas, ela vai.
Seus pés, descalços ou não, estão a cada dia mais experientes e marcados pelas andanças de sempre - sem estarem velhos.
Será que podes caminhar com ela?
Estaria ela cansada do caminho dentro de sua vaga mente vaga?
Todos os dias ela me olha e eu não sei decifrá-la... sendo ela tão transparente, me estranho e ela é estranha.
Parece ela ser daquelas que têm todas as respostas, mas eu sei que não as tem. segura de si, mas sei que não é. Segura de mim, sei que não sou... pois bem...
Que segure ela nas mãos os sonhos de que é feita. E, tecendo-os nas mãos que observam gestos, que descubra em cumplicidade, tal qual gosta, as lacunas que preencherá para criar outras ad infinitum.
Partícula, então, volto para seus olhos - pois somos Alves, mesmo enquanto dormimos.